dá vida quem chega, que chega.
dezembro 21, 2011
Terei meu filho depois de certas batalhas do sangue.
O verde do parque,
O gato que passeia,
O azul de duas tardes em composição.
Terei meu filho depois de certas batalhas do sangue.
Só depois.
Parece antecipado o choro do firmamento
Que sinto já
Antes de segurá-lo nos braços.
Duas guerras sem fim.
O ponto envolto no caos presente.
A segurar qualquer arma,
Pena, luz, palavra, atmosfera,
Escavo a minha condição a qualquer custo.
Lapidado os momentos de poeira e vento frio,
Caio de joelhos e só depois,
Somente depois
Segurarei meu filho nos braços.
Antes,
Ajudo, crio, planto, afago, enumero,
Pão-doce, água sem gás
Gato pintado,
Cabrocha cheiro moça.
-É tudo que posso no momento: desculpai-me as falhas.
Belo Horizonte, março de 2010.
Murmurar
dezembro 9, 2011
Toda sílaba deitada escorre mais que em pé. Tão saliente foste, que repentino me achei admirado pelo caminho. Naquele dia ouvi de um amigo que ele precisava mais de “prosa” do que de poesia; pensei naquilo e depois de algum tempo me designei para o propósito. Toda poesia me afeta de alguma maneira, enlaçando
Antes me disseram: “corra!” apenas sonhos, apenas sonhos
minha querida. De dentro da alma surge uma flor de muitas pétalas sinuosas, e um perfume jamais sentindo atravessa todo o ar da noite.
É hora cidade, calada, crescente
insondável
murmurar,
servindo-nos hora trono,
hora altar.
(É o toque das estrelas…)
Formidável! Sua pele de dentro enxergava o etéreo, o vazio, pleno vazio. Compunha algumas canções que esquecia de imediato. Costumava buscar e cavar no dia a dia algumas coisas, certas coisas. Vez por outra se imaginava varredor de ruas, outras, pintor de igrejas. Era imaginativo por natureza, pode-se bem dizer. Agarrava qualquer estímulo que atravessasse seu caminhar, e deixava a inspiração redesenhá-lo. Por isso parecia estar sempre de passagem, ou passagens, várias, bagatelas de um exemplar caminhador.
Uma vez, dentro de um desses cafés da região da madeira, em Portugal, outra vez num café marroquino, no Egito, lembrou-se do nome “Marco Polo”.
-Marco Polo, pensou, é preciso não se prender a certas rotinas…
Estava, a todo custo, evitando as rotinas. No entanto, achava-se em uma faziam algumas semanas. Não por escolha, mas por certo adestramento que o destino nos oferece em certas ocasiões.
-Paciência, dizia para si enquanto escutava o antigo bandolim beduíno dissolver o silêncio em Kuala Lumpur. Era passageiro, era o caminho.
Queria mesmo era continuar agora seu ofício de tecelão, e dar seguimento ao desenrolar do fio da vida; queria que o trem seguisse os trilhos em frente, deixando o barulho e os ecos das roldanas com a bitola para trás. Desejava apontar o dedo e gritar: “ali!”.


