novembro 15, 2011
Formidável! Sua pele de dentro enxergava o etéreo, o vazio, pleno vazio. Compunha algumas canções que esquecia de imediato. Costumava buscar e cavar no dia a dia algumas coisas, certas coisas. Vez por outra se imaginava varredor de ruas, outras, pintor de igrejas. Era imaginativo por natureza, pode-se bem dizer. Agarrava qualquer estímulo que atravessasse seu caminhar, e deixava a inspiração redesenhá-lo. Por isso parecia estar sempre de passagem, ou passagens, várias, bagatelas de um exemplar caminhador.
Uma vez, dentro de um desses cafés da região da madeira, em Portugal, outra vez num café marroquino, no Egito, lembrou-se do nome “Marco Polo”.
-Marco Polo, pensou, é preciso não se prender a certas rotinas…
Estava, a todo custo, evitando as rotinas. No entanto, achava-se em uma faziam algumas semanas. Não por escolha, mas por certo adestramento que o destino nos oferece em certas ocasiões.
-Paciência, dizia para si enquanto escutava o antigo bandolim beduíno dissolver o silêncio em Kuala Lumpur. Era passageiro, era o caminho.
Queria mesmo era continuar agora seu ofício de tecelão, e dar seguimento ao desenrolar do fio da vida; queria que o trem seguisse os trilhos em frente, deixando o barulho e os ecos das roldanas com a bitola para trás. Desejava apontar o dedo e gritar: “ali!”.

