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fevereiro 7, 2015

Todo mundo tem um lado bom para mostrar, coisas boas escondidas, ou às claras, em seus corações, momentos que poderiam ser facilmente fotografados e registrados de alguma maneira, para que depois pudéssemos ficar olhando para ele como uma recordação definitiva da palavra “positivo”, ou da palavra “leve”, ou até mesmo “amor”. Ontem eu ainda recordava certas coisas boas, visitava aquele lugar de memórias com meus pensamentos enquanto caminhava pela cidade a noite. Andando, pensava “como poderíamos fazer essas coisas boas mais vezes, com mais frequência, mais livremente”. Mas logo percebia que muitas vezes as pessoas queriam esconder as coisas boas, seu lados mais brilhantes, por algum motivo que não saberia explicar agora. Uma gota de suor escorria em minha barriga e eu sentia suavemente ela descer por debaixo de minha camisa. Apressava mais o passo então, pois queria suar mesmo, perder liquido, “fazer água”. Levar a sério essas coisas boas deveria ser tão importante quanto respirar, andar, falar. Mas deixamos essas coisas de lado muitas vezes em nome de sentimentos muito menores e infrutíferos, como mágoa, rancor, medo, raiva, orgulho entre outros. O poder nos dá uma falsa sensação de autoridade e tentamos preencher nossos vazios acreditando que podemos ser melhores que outras pessoas, exercitando perversamente o poder em suas mais variadas facetas. Antes de chegar aqui parei um pouco em uma praça que encontrei no caminho, não havia ninguém lá e por isso achava que poderia ser um bom lugar para me curvar um pouco sobre eu mesmo. Pouco tempo depois para um 206 preto próximo a mim, e de lá saem um casal com patins se dirigindo à quadra próxima. A moça começa então a ensinar o rapaz a andar, bem devagar. Uma moto chega pelo meu lado, e para em um banco próximo. Dois rapazes que pareciam estar terminando algum turno de trabalho descem e começam a enrolar um baseado. Foi então que o rapaz que estava aprendendo a andar de patins para, e olha disfarçadamente para os dois caras. Ele se senta, retira os patins e vai até os outros dois. Chegando lá põe a mão na cintura e mostra o distintivo e a arma, era um policial em seu momento de folga, e começa a gritar com os dois, humilhando os trabalhadores que também estavam em seus momentos de folga, devido a eles estarem fechando um baseado, praticamente expulsando os dois de uma praça pública. Ele queria ser superior aos outros dois rapazes, segurando a arma ameaçadoramente, insinuando que poderia haver sangue caso houvesse algum tipo de confronto com essa autoridade perversamente exercida por ele. A mulher submissa do policial nada faz, parece até que naquele momento ela nem estava ali, pra nada, poderia até mesmo nem ser namorada dele, e se ele matasse um deles ela nem iria fazer um movimento sequer. Os rapazes saem da praça na moto, e logo depois o policial também sai com sua namorada, o momento de folga havia acabado para todos, menos para mim, que continuava no banco próximo tentando compreender toda aquela esquete do mundo real. “Esse policial deve ter levado uma comida de rabo grande em seu trabalho e quis descontar em dois pobres coitados fechando um fino, achando que isso iria suplantar seu vazio existencial por carregar uma arma e um distintivo em seu momento de folga”, pensava eu. Mas eles deveriam, o policial e sua mulher, terem alguma coisa boa pra mostrar, mas preferiram não fazer, preferiram não andar de patins tranquilamente, e sim ele detonar moralmente dois cidadãos, exercendo seu pseudo poder momentâneo de policial de folga que anda de patins. Por acaso ele acha que virando a esquina de moto eles não mais iriam fumar? Já não mais um fino até, mais um “chara” king size pensando no ridículo do momento? Eles deveriam ter alguma coisa boa para mostrar sim, ás claras ou às escondidas.

(…)

Desmatérias

outubro 16, 2014

Um dia iluminado,
Palavras são asas,
e  amor é liberdade que se voa…

                                                                       (junto).

 

Outra vez mais

abril 10, 2014

Essa é uma crítica de ensaio não literária, uma meta ciência, por assim dizer. A literatura que conhecemos está inundada, como um velho barco vagando sem tripulação no vasto mar. E o que resta a nós,  pobres mortais?

Sempre andamos recriminando alguma coisa, isso é verdade, tentando encontrar um outro “eu” perdido e quase esquecido de nossa existência humana apenas por um desejo falido meramente egoísta.

Hoje eu vejo que as páginas que dediquei ao texto que tem como personagem principal Pedro, tema concreto de meu últimos posts, servem como registro de um romance literário, que pode ser adaptado para a linguagem audiovisual do cinema. É um roteiro vivo, cheio de organicidade, mas ainda a espera de um final, ou não.

Em breve começarei um novo blog onde falarei apenas de crítica cinematográfica, especificamente sobre filmes que já passaram, não os que estão em lançamento! Nele passarei algumas dicas de filmes semanais com um texto falando sobre esse filmes. Então, fica a dica!

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